Resenha: A Sétima Cela - Kerry Drewery

Editora: Astral Cultural
Tradução: Ivar Panazzolo Junior
320 páginas
2016

Jackson Paige é uma das celebridades mais queridas e famosas de Londres, mas ele foi morto por Martha Honeydew, uma adolescente de 16 anos que foi pega pela polícia com a arma do crime e ao lado do corpo. Levada ao corredor da morte, agora é a vez dos cidadãos e telespectadores do programa de TV "Morte é Justiça" decidirem: ela é inocente ou culpada? Ela deve viver ou morrer?
O destino de Martha Honeydew está em suas mãos, ao alcance de uma ligação telefônica.

"As pessoas não questionam. Isso dá trabalho demais. Por que se incomodariam com isso?"

Martha Honeydew é a primeira adolescente a passar pelo corredor da morte do novo sistema de justiça de Londres. Nesse sistema não há tribunais, cortes, juízes, provas ou testemunhas. Nesse sistema há um programa de TV, o "Morte é Justiça", que apresenta a quem assiste tudo o que eles devem saber sobre o caso e o acusado e o prazo de sete dias, divididos em sete celas pelas quais o preso passa, para que os telespectadores que podem pagar decidam e votem se ele ou ela deve viver ou morrer. Martha confirma que foi ela quem assassinou o astro Jackson Paige e tudo aponta que ela é realmente a culpada, mas parece haver muito mais por trás da história que todos conhecem. A questão é se alguém irá se dar ao trabalho de procurar saber.

A Sétima Cela é um livro que despertou a minha curiosidade desde a primeira vez em que li a sua sinopse, principalmente pelo plot distópico extremamente atual e crítico que ele tem, contudo também há uma grande dose de romance na trama que me surpreendeu e que deu uma dinâmica mais leve à história ao mesmo tempo que tornou mais dramática a situação dos personagens.

Kerry construiu personagens que mostram muito bem os diversos lados que o ser humano possui, da ganância desenfreada até a vontade de ajudar ao próximo, e os explorou de forma a dar um papel significativo a cada um deles. Portanto não há um personagem que seja desnecessário, já que todos desempenham uma função importante. Vou mencionar os dois que mais se destacaram para mim, assim não me estendo demais e vocês não abandonam a resenha no meio haha.

Martha, a protagonista, é uma orfã de 16 anos que trabalha arduamente para conseguir se sustentar e pagar o seu aluguel, na tentativa de evitar ser levada para um dos abrigos do Estado. Extremamente forte e decidida, embora não exergue isso em si mesma, Martha está disposta a ser um mártir se isso for um meio de conseguir abrir os olhos da sociedade pra fraude que é esse sistema de justiça. Mesmo com todos esses traços heróicos, ela ainda é só uma adolescente que está (desculpem a frase meio irônica haha) morrendo de medo da morte e foi isso o que mais me agradou nela. Também conhecemos Eve, a psicóloga designada a cuidar de Martha no corredor da morte, que no decorrer do livro se mostrou uma personagem que surpreende através de suas ações e gestos.

"Eles vivem na bolha das Avenidas e da Cidade, deixam o brilho os cegar e não se perguntam o que há fora dali."

O livro é dividido em sete partes, uma correspondente a cada cela pela qual Martha e os demais presos passam. A narrativa é ora em terceira pessoa, ora em primeira e nos apresenta o ponto de vista de Eve, Martha (que altera sua parte em presente e passado) e capítulos que representam o programa "Morte é Justiça". A escrita de Drewery é bastante franca, não poupa o leitor de verdades, não há encheção de linguiça e por isso flui muito bem. Entretanto nos capítulos dedicados ao programa de TV há uma grande quantidade de descrições e uma estrutura que me recordaram um roteiro, o que fez esses capítulos em especifico proporcionarem uma leitura mais lenta, às vezes até arrastada e minaram um pouco o meu entusiasmo com a trama. Ainda assim, minha leitura de modo geral foi rápida e agradável.

A autora utilizou criou uma trama que nada nas críticas sociais, abordando e questionando diversos problemas, pensamentos e ações atuais como a divisão de classes sociais, falhas do sistema judiciário e até mesmo a inércia da própria população diante de atos de injustiça, o que por diversas vezes me fez refletir sobre a realidade que me cerca. Foi uma excelente forma de fazer o leitor sair um pouco da bolha e ir além da ficção.

Apesar de haver aquela sensação de "aí meu deus como isso vai terminar!?", os acontecimentos finais para mim foram previsíveis e o gancho deixado para a sequência não me deixou louca de ansiedade. Ainda assim achei esse primeiro livro uma escolha muito boa para quem, assim como eu, adora uma distopia que faça pensar.

20 comentários:

  1. Olá!
    Olha eu não conhecia esse livro e esse autor, mas fiquei surpreendida a medida que fui lendo a sua resenha. O livro mesmo parecendo previsível em alguns pontos ainda assim gerou pontos positivos.
    Apesar de não ser um livro que leio com tanta frequência, fiquei com vontade de ler e descobrir mais sobre esses setes prisioneiros e os destinos que as pessoas derem pra eles. A narrativa alternada é algo que me atrai bastante na leitura pq podemos entender a visão dos outros personagens.
    Sensacional, vou procurar pra ler em breve!
    Beijos!

    Camila de Moraes.

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  2. Oiiii tudo bem???

    Achei o livro super interessante, me chamou pra leitura, o tema, a capa tudo. Pena que o desfecho é previsível, mas acho que se a história é bem escrita não tira tanto a graça.
    Vou add aos desejados. Bjus Rafa

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  3. Olá, tudo bem?

    Gosto de uma distopia e essa me chamou muita atenção. Pena que o desfecho foi um tanto previsível pra você, colocarei nos meus desejados porque me apaixonei pelo jeito que você escreveu a resenha.

    Beijos

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  4. Oi Larissa, apesar de também ter imaginado quem seria o verdadeiro culpado, e com isso o final, ao contrário de você, fiquei bem curiosa pela sequência da história. Gostei da forma como enredo foi sendo desenrolado, e das críticas sociais que os fatos envolvem.
    Bjs

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  5. Hey!

    Não conhecia o livro, me chamou atenção a capa, e depois de ler sua resenha fiquei super curiosa de ler. Adoro livros que fazem críticas à atualidade e mesmo assim conseguem ser leves.

    Sucesso.
    https://fonteliterarias.blogspot.com.br/

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  6. Olá
    Apesar de ter lido poucas distopias em minha vida, eu tenho grande e apresso pelo gênero. Eu conheci esse livro pela grande divulgação que a editora fez, mandou kit para diversas pessoas e eu achei muito lindo todo o kit. Depois de ler a editora sua resenha só me deixou a querer mais ainda a obra. Uma pena não ter te agradado 100%. Espero ler logo logo. Até mais ver
    Bjs

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  7. Olá,

    Faz um tempo que não leio nenhuma distópia, porém gosto super do gênero. Eu já tinha ouvido falar desta obra, mas a premissa não me atraiu o suficiente para eu começar essa leitura. Confesso que é um enredo bem criativo e diferente, me deu uma certa curiosidade, mas por fazer parte de uma série, e eu não estou querendo começar novas séries, deixo a dica passar por agora.

    Beijos,
    entreoculoselivros.blogspot.com.br

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  8. Larissa, eu já ouvi falar muito desse livro, mas confesso que apesar da premissa interessante não consigo me empolgar em ler, pois não curto muito distopia.

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  9. Olá!
    Vi essa capa rodando por aí, mas ainda não havia lido nenhuma resenha.
    A premissa é extremamente interessante. Fiquei fazendo um paralelo entre esse novo sistema de justiça com nossos "tribunais virtuais", onde nas redes qualquer um é especialista em tudo e sabe julgar com precisão qualquer coisa. Já pensou se a moda pega? haha

    Adorei a resenha e marcar no SKOOB, com certeza!

    Beijos!

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  10. Não conhecia o livro, eu adoro uma distopia, apesar desse livro parecer ser diferente das distopias que leio.
    Sua resenha está muito boa!

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  11. Esse livro me lembrou A espera de um milagre. Nossa chorei muito com ele. A Martha deve ter passado por uma situação terrivel, e ainda mais uma morte filmada? Meu Deus! Esse livro deve ter sido fantástico e quero muito ler.

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  12. Não conhecia o livro, mas a trama parece ser boa, como a questão de ir e voltar em temas polêmicos gera um "q" de curiosidade. Dica anotada. Beijos :*

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  13. Este comentário foi removido pelo autor.

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  14. Olá Larissa, não conhecia o livro, mas achei a premissa dele super eletrizante, com certeza leria ele. Amei essa coisa de distopia, com reality show, parece que essa mistura deu muito certo. E também que tenha um ar de romance, gosto muito disso, a leitura fica mais leve. Bjokas.

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  15. Oiee ^^
    Pela forma como o mundo está indo, não duvido que um dia isso realmente ocorra *-* credo. Eu ainda não conhecia esse livro, mas fiquei muito curiosa para ler, apesar de você ter dito que o final foi um pouco previsível, e que não animou tanto para ler a continuação :/ E eu adoro distopias, então...hehe'
    MilkMilks ♥

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  16. Olá, tudo bem?
    Eu vi alguns blogs falando sobre como o marketing desse livro estava maravilhoso, mas nunca parei para ler a sinopse.
    A premissa me chamou muito a atenção, e conhecer a obra através da sua resenha me deixou bem instigada a ler!
    Adorei, e mesmo sem ter lido, já quero a inocência da personagem.
    Um beijo.

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  17. Olá, adoro o gênero e fiquei bastante curiosa com sua resenha. Não conhecia a obra e já vou anotar a dica desse thriller.

    Abraços

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  18. Olá! logo de cara percebi, que este livro era uma distopia. Gosto muito do gênero. Vou guardar a dica sem dúvidas. bjs

    http://entrepaginasemuitashistorias.blogspot.com.br/

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  19. Olá!
    Eu ainda não conhecia o livro, mas logo de cara eu me apaixonei pela premissa também, e estou bem curiosa agora para conferir. De fato esse modelo de narrativa do programa pode ser bem maçante mesmo, que pena que a autora não ficou no padrão normal.
    Beijos.

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  20. Uau! Cara, adorei esse livro, confesso que não o conhecia e pela sua resenha já me chamou e muito minha atenção. Uma trama bem construída e já vou correr pra ler o mais rápido possível.

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