Resenha: A Última Carta de Amor - Jojo Moyes


 
Editora Intrínseca
Adalgisa Campos da Silva
384 páginas
2016

Em 1960, Jennifer Stirling acorda em uma cama de hospital, após um grave acidente a faz pouco se lembrar de sua vida anteriormente. Sentindo que algo falta em sua vida, ela começa a descobrir detalhes de sua vida, percebendo que amava outro homem, mesmo estando casada. E que, maior que isso, ambos trocavam cartas apaixonadas.
Quarenta anos depois, a jornalista Ellie Hasworth descobre no arquivo do jornal em que trabalha, uma série de cartas de amor, sem nenhuma pista de quem possa ser o casal e seu fim. Mais do que para o artigo, ela se aprofunda cada vez mais na história, para que possa descobrir o final da história de ambos e o possível final de sua própria história.

Se com Baía da Esperança, tive uma enorme decepção onde me perguntava o tempo todo "cadê a Jojo de quem tanto gosto", A Última Carta de Amor veio para relembrar o quanto gosto das histórias da autora e que o livro dela lido anteriormente foi só um que não agradou.
Desde que a editora anunciou que mudaria a capa, decidi que era a hora de comprar, já que adoro a capa dessa edição e a sinopse sempre me chamou a atenção.

“Não sei ao certo como conquistei o direito. Não me sinto direito desse direito mesmo agora. Mas a própria chance de pensar em seu rosto lindo, seu sorriso, e saber que alguma parte disso poderia me pertencer talve seja a coisa mais importante que me aconteceu na vida.”

A Última Carta de Amor é uma trama delicada e a cada página virada, repleta de saudade. Há certo tom melancólico no drama de Jennifer e Anthony O' Hare - ela casada e ele solteiro - a fim de que o leitor se compadeça com a situação e torça por eles, o que de fato dá certo. Ao menos comigo, por mais que traição me soe uma das piores coisas. O casal tem química e uma ligação sutil e intensa, ao mesmo tempo que a autora mostra a situação tensa que a protagonista passa com o marido.
Por outro lado, temos Ellie, uma mulher que tem uma ótima vida, mas está presa em um relacionamento como amante de um famoso escritor. Ao contar a história dela, não há nada para fazer o leitor torcer pelo casal. Só a narrativa nua e crua da situação terrível que a protagonista passa. É interessante ver os dois relacionamentos, que embora não sejam comparados diretamente, é inevitável não analisar diferenças e possíveis semelhanças entre eles.

O que vejo de mais interessante é justamente a forma como a história é narrada. Narrado em terceira pessoa, Moyes alterna a trama entre passado e presente. Enquanto o passado é escrito como a maioria dos livros, a autora traz no presente todas as orações também no presente, justamente para demarcar bem a linha do tempo. Ou seja, em vez de "ela entrou", Moyes escreve sobre Ellie como "ela entra". O que foi uma característica apreciável nesse tipo de obra, que alterna entre espaços de anos.
Entretanto, a mudança de tempo verbal pode passar despercebida e essa foi, no exemplar, a única forma de identificar pretérito e presente. Portanto, senti falta de alguma marcação que definisse ao leitor quando a história era focada em Jennifer Stirling, em 1960, e quando era focada em Ellie, quarenta anos depois.

Assim como o livro mais famoso de Moyes, Como Eu Era Antes de Você, é difícil não se emocionar com as páginas finais. Não há surpresas, apenas o esperado, mas tudo é doce. Diria que o final não é nem fechado nem aberto; há uma brecha para que o leitor imagine como se densenrola, mas que creio que a autora tenha encaminhado os leitores a imaginarem todos da mesma forma.
Por fim, por mais que A Última Carta de Amor não tenha bem um lado cômico, é escrito com a mesma leveza da maioria dos livros que li de Jojo Moyes, e que mais uma vez, torna-se uma história de amor queridinha em minha estante.

4 comentários:

  1. Eu quero muito ler esse livro, parece ser encantador e a capa é tão bonita quanto os outros livros da autora. Gostei da sua resenha e de poder conhecer um pouco mais sobre esse livro.

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  2. Oi, Cá.
    Sou super suspeita para comentar sobre os livros da Jojo Moyes porque ela é uma das minhas escritoras prediletas e amei todos os seus livros, inclusive o Baía da Esperança! Se bem que sou uma pessoa estranha porque acho a Lou a protagonista mais fraca dela!! rs...
    Mas sobre esse livro, ele é encantador e fico feliz que tenha gostado!!
    Beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  3. Oiii Camila tudo bem?
    Eu quero muito ler esse livro, parece ser bastante encantador e não vejo a hora de tê-lo na minha estante, além do mais a edição está um luxo e adorei ler a sua opinião que é bastante convincente.
    Beijinhos

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  4. Oie...
    De vez enquanto é bom ler aquele livro onde você imagina tudo o que vai acontecer, mas mesmo assim, se emociona e fica sorridente ao finalizar a leitura. Aconteceu exatamente isso quando eu li o livro. Não me arrependi e ainda fui dormir bem leve.
    Adorei. Assim como adorei sua resenha

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